Extreme e Richie Kotzen (Opinião, Porto Alegre,16/06/2015)

Publicado em: quinta-feira, 18 de junho de 2015
O Extreme retornou ao Brasil, no corrente mês, para quatro apresentações, após um hiato de 23 anos. A última vez que a banda tocou em solo brasileiro foi no início da década de 90, mais precisamente em 1992, no saudoso Festival Holywood Rock.

A banda originária de Boston encerrou a perna brasileira da tour "Pornograffitti Live - 25th Anniversary" em Porto Alegre, na última terça-feira, dia 16 de junho. Tour em comemoração aos 25 anos do lançamento do segundo álbum da banda norte-americana, "Extreme II Pornograffitti" de 1990.  Álbum este que tornou a banda conhecida mundialmente, que colocou o Extreme no hall da fama e que contém dois dos seus maiores sucessos - "More Than Words" e "Hole Hearted".

E para tornar a noite única, o show contou com um convidado muito especial - o guitarrista, compositor e vocalista Richie Kotzen.


Os privilegiados que compareceram no Bar Opinião, casa noturna tradicional da capital gaúcha, assistiram dois shows memoráveis. Já que seria, na minha opinião, uma heresia considerar o show do trio formado por Kotzen, pelo baixista Dylan Wilson e pelo baterista Mike Bennett, um show de abertura.

Pontualmente às 20h30, Richie Kotzen, considerado um dos melhores guitarristas do mundo, que além de sua exitosa carreira solo, é conhecido também pelo seu trabalho junto ao Poison, Mr.Big e Winery Dogs, iniciou sua apresentação.

Durante a performance que durou aproximadamente uma hora, o guitarrista, que tem um vocal ímpar, apresentou um setlist mais focado na sua carreira solo. Mesmo com um repertório curto e sem muita interação verbal com o público, o show de Richie Kotzen foi perfeito e envolvente. Interação verbal, quero frisar bem esse aspecto, por que a interação criada através da sua música contagiou, e envolveu todos os presentes. A boa música tem essa característica e fala por si só, criando uma total simbiose entre músicos e público.

A voz poderosa de Kotzen  nem de longe lembra o músico que teve sérios problemas com a voz anos atrás, para alegria dos fãs que foram ao Opinião lhe prestigiar e para os novos fãs, que a performance digna de um "Bravo" com certeza criou.


Sua técnica, velocidade e precisão deixaram meio que boquiabertos os presentes que ficavam atentos a cada solo, a cada riff do músico que tem um estílo único que mescla rock, jazz fusion, soul e até R&B. Outro ponto positivo da apresentação era o visível entrosamento entre os músicos . Dava para sentir o prazer que eles possuem em tocar juntos, e  isso se refletia na sua música e o público presente agradecia...O Bar Opinião transformou-se numa grande festa.  Os músicos terminam seu show e são ovacionados.


O Público nesse momento já lotava o andar inferior do Bar Opinião.
Rapidamente é montado o palco para a atração principal da noite.

Finalmente os gaúchos iriam assistir ao vivo o quarteto formado por Gary Cherone (voz), Nuno Bettencourt (guitarra, teclado), Pat Badger (baixo) e Kevin Figueiredo (bateria). A banda inicia sua performance com a agitada faixa "Decadence Dance", primeira faixa do aclamado álbum lançado em 1990, que é executado integralmente. Inclusive a ordem das músicas do disco foi observada.

A primeira hora do show é voltada à execução das 13 faixas do disco.
Vendo a banda em ação percebe-se que a energia dos integrantes não diminuiu com o passar dos anos. Música boa é atemporal.


Um dos destaques do show é a performance do carismático Cherone. O músico que parece ter bebido da fonte da juventude, corre de um lado para outro do palco durante todo o show com uma vitalidade invejável. Fazendo malabarismos com o pedestal, poses no maior estilo pop star, mas principalmente, cantando muito bem.  Mostrando-se um vocalista completo e eclético, assim como a banda que capitaneia juntamente com Nuno.

E alguém pode estar se perguntando...E o público? E eu respondo -Totalmente extasiado cantando junto as músicas, pulando, aplaudindo exaustivamente cada música executada.

Os músicos agradeceram inúmeras vezes, durante o show, o carinho recebido dos fãs.

Eis que Nuno pega um violão e se senta próximo a Cherone.  É chegado o momento de tocar a quinta faixa do "Pornograffitti". Ouvem-se os primeiros  acordes da tão esperada “More Than Words”, e o público fica totalmente ensandecido. Todos vibram e cantam junto com a dupla o maior hit da banda. Os presentes cantaram toda a música em uníssono e não somente o refrão, deixando visivelmente os músicos surpresos.


O talentosíssimo músico português, Nuno Bettencourt, deu um show a parte com sua técnica apuradíssima, velocidade e potência. Inúmeras vezes interagiu com o público misturando inglês e português, de Portugal. O músico também mostrou seus dotes ao teclado. Em tempo, o guitarrista, tecladista e também compositor da banda também parece não envelhecer, assim como Cherone.

Depois de tocar o aclamado álbum a banda dá uma parada,  voltando na sequência para o bis, incluindo no repertório faixas como "Take us Alive" e "Rest in Peace" entre outras.

Com mais de duas horas de duração, infelizmente o show termina.
A banda mostrou, para os que não ainda não sabiam, que não é uma banda de uma música só e por que vendeu mais de 10 milhões de álbuns ao redor do mundo.

O Extreme é uma banda coesa que conta com exímios músicos. Além de Cherone e Nuno  tem o grave sólido produzido por Pat Badger e a batida firme, marcante de Kevin Figueiredo.

O estilo da banda tão discutido na época de sua formação vagueia entre o rock clássico, música alternativa, hard rock... Sei lá como categorizar exatamente o som que a banda produz, e precisa?

A banda assim como a platéia parecem não querer que a noite termine.

Esperamos que a banda não demore mais 23 anos para voltar ao Brasil. Assim prometeram antes de despedirem-se. Os dois shows da noite totalizaram mais de três horas  e poucas são as pessoas que fazem menção de ir embora. Poucas vezes ví uma plateia assim.

Obrigada Richie Kotzen e banda, obrigada Extreme!



A Abstratti, produtora responsável pelo evento na capital gaúcha, está de parabéns pela organização.


Veja todas as fotos do show, aqui.


Fotos: Karen Waleria


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