Andre Matos & Tierramystica (Opinião, POA, 08/05/11)

Publicado em: sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por Paulo Finatto Jr. | Em 11/05/11
Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

Para comemorar os seus vinte anos de existência, a loja Zeppelin – uma das mais importantes do segmento dedicado ao rock/metal do sul do país – preparou uma noite especial para os headbangers gaúchos. Pelo palco do Opinião, duas diferentes gerações do metal nacional passaram com apresentações interessantíssimas. Os shows de ANDRE MATOS e da TIERRAMYSTICA contaram com o apoio praticamente incondicional de cerca de quatrocentos fãs – e com a abertura da novata PHORNAX. O (fraco) público que compareceu ao evento não se arrependeu.

Com certa expectativa, os primeiros fãs já formavam uma tímida fila no início da tarde e que se tornaria relativamente extensa às 19h – horário em que as portas do Opinião abriram. Os mais fanáticos correram para se concentrar em frente ao palco e assistiram de perto o show da PHORNAX. O grupo, ainda iniciante, conta com Cristiano Poschi (vocal), Thiago Prandini (guitarra), Ederson Prado (baixo) e Maurício Dariva (bateria) e está prestes a lançar o seu primeiro EP, intitulado “Silent War”. De modo claro, o metal tradicional do quarteto (à ICED EARTH  e JUDAS PRIEST) ainda precisar ganhar experiência ao vivo. No entanto, o som pesado da banda mostrou qualidade em um set curto, de aproximadamente vinte minutos. O destaque do show ficou por conta da faixa “Silent War”, nitidamente a única que conquistou o apoio de quem ouvia pela primeira vez o trabalho dos caras. Não há dúvidas de que a sequência de shows – que já possui datas agendadas pelo interior gaúcho – possuirá um impacto extremamente positivo nas futuras performances da PHORNAX.

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Por volta das 20h30 a TIERRAMYSTICA entrou em cena com a introdutória “Nueva Castilla”. O grupo, que é um dos maiores nomes do underground gaúcho da atualidade, foi ovacionado desde o início da sua apresentação (importante mencionar que pouquíssimas bandas independentes conseguem o mesmo feito). Em extrema sintonia com o público, Guilherme Antonioli (vocal), Alexandre Tellini e Fabiano Muller (guitarras), Rafael Martinelli (baixo), Luciano Thumé (teclado), Ricardo Durán (vocal/ocarina/charango) e Duca Gomes (bateria) abriram o seu espetáculo com os maiores destaques do bem-recebido “A New Horizon” (2010). Não só “New Eldorado” foi metodicamente armada para contagiar os fãs, que nitidamente dominavam boa parte do repertório da banda. Do mesmo modo, “Celebration of the Sun” empolgou o público – ainda razoável – acomodado no Opinião.

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O metal com influências da música andina (e latino-americana) é extremamente característico e pessoal. Porém, é a performance dos músicos – verdadeiramente qualificada – que proporciona um espetáculo interessantíssimo. Na sequência, a versão que a banda construiu para “Fear of the Dark” (IRON MAIDEN) conseguiu animar ainda mais os presentes, que interagiram intensamente com o carismático vocalista Guilherme Antonioli. Em seguida, o repertório de aproximadamente uma hora privilegiou outros destaques do excelente disco de estreia “A New Horizon” (2010). A cadenciada “Winds of Hope” serviu como um contraponto para a pesada “Golden Courtyard”e para a ótima “Spiritual Song” (provavelmente a minha preferida). O show dos caras –mais consistente se comparado com o da abertura do ANGRA no fim do ano passado – comprovou o porquê do TIERRAMYSTICA ser apontado como uma das mais promissoras bandas do metal brasileiro.

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Com poucos minutos de atraso, às 22h15 Andre Matos (vocal), Hugo Mariutti (guitarra), André Hernandes (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Eloy Casagrande (bateria) entraram em cena para iniciar a apresentação mais aguardada da noite. Embora não possuísse nenhuma novidade (sequer uma música nova) para mostrar para os gaúchos, ANDRE MATOS dedicou uma boa parte do seu repertório, sobretudo a inicial, para o álbum “Mentalize” (2009). Depois da abertura com “Leading On”, o grupo mostrou uma performance acima da média em “I Will Return” – provavelmente o maior destaque do espetáculo. O cantor, que foi prejudicado no início por questões técnicas de som, é acompanhando por um quarteto excepcional, que possui em Eloy Casagrande o seu maior destaque. O jovem baterista – de apenas vinte anos – deu um show à parte e conduziu eficientemente o repertório que soa ainda mais pesado ao vivo. Em seguida, “Rio” evidenciou as virtudes do guitarrista Hugo Mariutti e pode ser apontada como umas das faixas mais bem recebidas de “Time to Be Free” (2007).

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Embora se mostre extremamente concentrado em sua performance, ANDRE MATOS é muito carismático e sabe (como poucos) conduzir a plateia em cima do palco. O público claramente jovem – e certamente aquém do esperado pelos organizadores do evento – comprovaram as minhas palavras em “Fairy Tale”, a música mais comercial e batida do álbum “Ritual” (2002), do SHAMAN. Por mais que a faixa possa ser apontada como uma das mais controversas da sua ex-banda (outras músicas mais interessantes do álbum costumam ser esquecidas nos shows do cantor), o público agitou bastante, apesar das falhas no microfone de ANDRE MATOS. Em seguida, um solo raivoso de Hugo Mariutti introduziu “How Long (Unleashed Away)”, curiosamente uma música que os fãs, sobretudo os adolescentes fanáticos pelo vocalista, sabiam cantar do início ao fim.
Na sequência, “Reason” – do álbum homônimo do SHAMAN – ganhou contornos ainda mais pesados se comparada com a sua versão de estúdio. No entanto, as únicas duas músicas da sua ex-banda escolhidas para compor o repertório se mostraram equivocadas. Não há dúvidas de que existem faixas mais interessantes e que provavelmente conduziriam o show de modo mais qualificado, como “Here I Am” e “Time Will Come”, de “Ritual” (2002); e “Turn Away”, de “Reason” (2005). De qualquer modo, os fãs gaúchos pouco se importaram e não mostraram abatimento pela ausência de composições como essas. Em seguida, um grandioso solo de bateria introduziu “The Myriad”, que retomou a carreira solo de ANDRE MATOS com o mesmo pique.

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Porém, é impressionante como as faixas do ANGRA são capazes de modificar o comportamento da plateia. A introdução de teclado (executada em sampler) de “Lisbon” foi suficiente para o público entrar novamente em sintonia com o quinteto. De outro lado, “Prelude to Oblivion” – executada anteriormente – comprovou que os fãs mais novos não dominam os anos que o vocalista passou com o VIPER, antes de se transformar em uma das principais figuras do metal brasileiro de todos os tempos com o grupo de Kiko Loureiro e de Rafael Bittencourt. Depois de uma breve pausa, a banda de ANDRE MATOS retornou ao palco do Opinião para mais um dois clássicos do passado. De um lado, “Holy Land” causou certa surpresa (e alegria), sobretudo por ser uma faixa rotineiramente esquecida por sua banda original. De outro, “Carry On” certamente era uma das mais aguardadas e nunca será diferente. O maior clássico da ex-banda de Andre ainda mexe com muita gente. Por fim, uma jam com “Another One Bites the Dust”(QUEEN) serviu para apresentar o grupo, antes do encerramento com a razoável “Endeavour”. Certamente outra composição (até mais impactante) se encaixaria melhor para encerrar o show de ANDRE MATOS – como “Letting Go”.
Em exata 1h35 de show, ANDRE MATOS comprovou o porquê de ainda ser uma das maiores referências do metal brasileiro. Embora muitos retoques pudessem ser feitos em seu repertório, o cantor conseguiu – em uma performance densa e eficiente – colocar os fãs na sua mão desde o início. No entanto, a mesma plateia decepcionou (no quesito números). O público – inicialmente estimado em seiscentas pessoas – não se confirmou. De qualquer modo, a iniciativa pioneira conduzida por Alexandre Nascimento (que ainda distribuiu brindes durante os shows) – seja com a loja Zeppelin ou com os shows produzidos recentemente – precisa ser reconhecida e parabenizada aqui. O que resta agora é aguardar por um próximo disco do cantor e por mais vinte anos da loja.

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Sites:
Tierramystica – http://www.tierramystica.com
Phornax – http://www.phornax.com.br

Set-list:
Tierramystica:
01. New Eldorado
02. Celebration of the Sun
03. Fear of the Dark (Iron Maiden)
04. Winds of Hope
05. Golden Courtyard
06. Spiritual Song
Andre Matos
01. Leading On
02. I Will Return
03. Rio
04. Mentalize
05. Fairy Tale (Shaman)
06. How Long (Unleashed Away)
07. Reason (Shaman)
08. The Myriad
09. Prelude to Oblivion (Viper)
10. Lisbon (Angra)
11. Holy Land (Angra)
12. Unfinished Allegro/Carry On (Angra)
13. Endeavour

Fonte: Whiplash.net

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